No mês de junho participei do 15º SUESPAR, evento anual da Federação das UNIMEDs do Paraná e pude, mais uma vez, constatar a força deste conjunto de cooperativas médicas que formam o Sistema Nacional UNIMED, maior sistema de assistência privada a saúde nacional.
Minha atuação junto a setores públicos e privados da saúde tem me possibilitado uma visão de como um setor vê outro se negando, na maioria das vezes, a reconhecer a importância do outro no cenário da saúde de nosso país.
Pela extensão e a diversidade de cenários, nosso país oferece uma ampla gama de situações que não podem ser reduzidas nem analisadas de modo irresponsável e onde são muito bem vindas soluções privadas de soluções públicas.
É comum encontrarmos numa mesma região geográfica situações diametralmente opostas, municípios com abundância de profissionais, que chegam a ter 4 médicos para cada 1000 habitantes, com uma parcela destes profissionais subempregados, vivendo de plantões diários em hospitais e, não muito longe dali, municípios que não conseguem fixar profissionais em seu território, impedidos de oferecer localmente a assistência que sua população precisa. Enfim recursos sobrando em um lado e faltando do outro.
Tanto quanto encontramos diferentes realidades neste país, encontramos pessoas e empresas que possuem soluções prontas para qualquer problema das organizações de saúde. Como se fosse possível padronizar soluções ou afirmar que o melhor é uma solução ou outra sem que cada caso seja analisado.
Participar do 15º SUESPAR me deixou muito feliz e honrada pela possibilidade de participar, lado a lado, em uma mesa com duas referências nacionais, não apenas do Sistema Nacional UNIMED, como também da Administração Hospitalar. O Dr. Rodolfo Machado de Araújo, médico, conhecido pelo sucesso de sua administração a frente do Hospital da UNIMED de Sorocaba e hoje Diretor Adjunto da Central Nacional Unimed e o Dr. Luis Fernando Nicz, também médico, professor e pesquisador, cujas publicações utilizei como referência em minha dissertação de mestrado, hoje Gerente Executivo de Provimento de Saúde da UNIMED de Santos.
O conjunto das apresentações, que versaram sobre as vantagens e desvantagens dos serviços e recursos próprios para as operadoras de saúde, constituiu-se num painel claro da diversidade de possibilidades e riscos que se apresentam para os operadores de saúde privadas em nosso país.
Foi um momento único, em que os palestrantes não apresentaram fórmulas prontas, mas sim sensibilizaram os presentes para necessidade de conhecer profundamente sua situação local e seus fatores condicionantes, ao invés de partir para soluções prontas.
No setor de saúde, a necessidade de planejar é frequentemente atropelada pelos anseios profundos e legítimos de profissionais em dificuldade de exercer plenamente seu oficio. Este atropelo pode ocasionar problemas futuros, muitas vezes, mais graves do que aqueles que levaram empreendimento de forma precipitada.
O Dr. Rodolfo apresentou as várias condicionantes favoráveis à implantação dos recursos e serviços próprios, destacando a importância da construção de uma Rede Nacional Própria Unimed para fazer frente aos novos entrantes, concorrentes pelo segmento da saúde suplementar.
O Dr. Nicz, de forma didática, mostrou os diferentes cenários em que estão inseridas as cooperativas que formam o Sistema UNIMED. Estes ambientes podem ser menos competitivos permitindo que algumas cooperativas se mantenham como prestadoras de serviços, com foco na produção e o objetivo de proporcionar mais serviços e ganho aos médicos cooperados. Ou mais competitivos levando outras cooperativas a assumirem o papel de operadoras de serviços de saúde, com foco na venda de planos de saúde, prestando menos serviços com maior resolutividade, gerando mais sobras para os cooperados.
Restou para mim, na qualidade de consultora, ressaltar a necessidade do planejamento na identificação do cenário em que se insere a cooperativa médica que busca implantar o recurso ou serviço próprio, destacando os problemas que temos encontrado em nosso trabalho para obter as informações necessárias ao planejamento.
Reconhecendo que qualquer operadora de saúde lida rotineiramente com um conjunto de informações estatísticas referente à utilização de serviços médico-hospitalares de seus usuários na rede contratada. Mas infelizmente, tem sido dada maior importância (e notificação) às informações relativas a pagamentos (valores) ou à produção médica (valores e estatística), perdendo a oportunidade de conhecer o complexo hospitalar virtual que mantém com o pagamento de serviços médico-hospitalares.
Observando que a falta destas informações, detalhadas de acordo com a tradição hospitalar é, sem dúvida uma das maiores dificuldades do planejador chamado para colaborar, através de estudos de viabilidade econômica, com a implantação dos serviços próprios como é o nosso caso.
Na falta de informações próprias, resta-nos utilizar os dados públicos que relacionam população com a oferta de serviços, e traçam o perfil epidemiológico da mesma. Entretanto, esta informação constitui-se apenas num referencial inicial, uma vez que o usuário das cooperativas médicas goza de liberdade de escolha tanto ao fazer o plano quanto a onde utiliza-lo.
Concluindo, ressaltei que se os parâmetros públicos mostram-se inadequados é fundamental que o Sistema Nacional Unimed colete, processe e disponibilize as cooperativas médicas pertencentes ao sistema informações próprias necessárias ao planejamento.
Desta forma fechou-se o círculo sobre o assunto da hora no Sistema Unimed – a importância dos serviços e recursos próprios de prevenção e assistência saúde para as cooperativas médicas, assunto que você vai poder acompanhar em outros textos e entrevistas aqui no nosso portal
Mariluz Gomez
Coordenadora de Conteúdo
www.clicsaude.com.br